A Volta do Vinil

21 05 2008

Em plena era dos aparelhos de música
digital, gravadoras e artistas voltam a apostar nos velhos discos de vinil. E a
estratégia tem dado resultados. Segundo a Associação Americana da Indústria Fonográfica, a venda de LPs (discos com duração de cerca de 20 minutos em cada lado) e compactos (com só uma música de cada lado) nos Estados Unidos atingiu 1,3 milhão de cópias em 2007, com arrecadação de US$ 23 milhões (R$ 39 milhões), o que representa um aumento de 36% sobre o ano anterior.

Mesmo que esse número seja pequeno numa indústria fonográfica que, apenas em 2006, movimentou US$ 19,6 bilhões (R$ 32,6 bilhões) no mundo, ele indica um mercado favorável a esse tipo de produto.

“Na Inglaterra, as gravadoras nunca deixaram o vinil morrer pela dificuldade em pirateá-lo e pela qualidade sonora,
superior à da música digital. Bandas novas fazem, por conta própria, 500 cópias de compactos, que são bastante disputados. Alguns chegam a custar 100 libras
(R$ 330)”, explica o radialista e colecionador Kid Vinil. De acordo com a revista americana “Wired”, o “eBay”, maior site de leilões virtuais, vende, em média, seis LPs a cada 10 minutos.

Artistas consagrados também apostam no vinil. É o caso do irlandês Elvis Costello, que lançou, em abril, o novo álbum, Momofuku, exclusivamente nesse formato. Mas incluiu nos LPs um código para o ouvinte fazer o download das músicas. A dupla americana White Stripes lançou um compacto da canção “Icky Thump”. Venderam 10 mil cópias em apenas dois dias.

Por outro lado, a Polysom, única
fábrica de vinil da América Latina,
instalada em Belford Roxo (RJ), foi
fechada no início deste ano. “Aqui não existe mercado para o vinil. Se nas lojas brasileiras não se acha com facilidade equipamentos para tocar os discos, nas inglesas os toca-discos estão na moda”, diz Kid Vinil.

A gravadora Deckdisc, uma das primeiras do País a aderir aos sons para celulares e à venda de música em MP3, também está interessada em discos.

Tanto que já lançou pelo menos quatro LPs. Recentemente, o presidente da empresa, João Augusto, declarou a intenção de abrir uma fábrica de vinil, que seria a única da América Latina. (G.B.)

Novos equipamentos
A fim de acompanhar a moda do vinil, empresas de equipamentos musicais e de outros setores apostam em novos produtos. No final de fevereiro, a Sony anunciou a criação do PS-LX300USB, um toca-discos que pode ser ligado no computador e custa US$199 (R$330). A empresa britânica Laser Vinyl criou dois modelos de máquinas de lavar discos – um manual, que oferece um ciclo de limpeza de 35 segundos para cada lado, e outro automático, capaz de limpar sozinho toda a superfície do disco, protegendo-a com uma camada extra de veludo. Os selos também ficam protegidos da lavagem com água destilada e álcool. Até a marca de calçados Nike entrou na onda e, no final do ano passado, convocou os DJs brasileiros Marky e Zegon e a dupla MixHell (Iggor Cavalera e Laima Leyton) para criarem um tênis inspirado no vinil.
O resultado foi o Vinilheadz, que tem até ranhuras. Ao todo, foram fabricados 400 pares, vendidos por R$ 299 cada./fotos

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